quinta-feira, 18 de novembro de 2010

MATÉRIA ESPECIAL - SOBRADO DO HORROR

A história de uma viúva, herdeira de vários imóveis em Guarulhos, que vive no meio do lixo e da sujeira com mais de 50 gatos; filhas acusam a mãe de cárcere privado por mais de 20 anos
A vida no meio de muito lixo e sujeira, e de mais de 50 gatos, a suspeita de estar com uma grave doença e a acusação de manter as duas filhas por mais de 20 anos em cárcere privado. Este é o drama familiar vivido pela viúva Nalderi Silva, a “dona Michelle”, que, ainda na adolescência, deixou Barreiras, interior baiano, para ganhar a vida em São Paulo. Casou-se com o construtor civil italiano Michelle (lê-se Miquele) Aloísio, veio morar em Guarulhos e, hoje, 10 anos após a morte do marido, mora no “sobrado do horror”, como é conhecido o seu imóvel na avenida Emílio Ribas, 1856, em frente ao Hospital Padre Bento.

O Folha do Ponto – que recebeu denúncias de vizinhos – entrou, com exclusividade, no imóvel, em duas ocasiões. Na segunda vez, a viúva aceitou conceder entrevista e ser fotografada, mas só depois de conversar a sós com o repórter, em um quarto trancado por dentro por ela própria. “Vivo um drama familiar. Estou sofrendo muito. Não sou feliz com minhas filhas, somente com meus gatos. E estão matando eles”, disse chorando. Em duas semanas, cerca de 10 gatos foram envenenados.
Por volta das 10h de sexta-feira, dia 12, a reportagem foi recebido pelas filhas de “dona Michelle”: Karin Bianca Aloísio, 35, e Ana Carla, 43. O fedor de lixo e fezes de gatos é sentido logo no portão de entrada do sobrado, que mais parece um imóvel abandonado. Por conta do tempo frio, a proprietária não saiu do quarto. Pediu para que a visita fosse remarcada para a tarde. As filhas confirmaram os problemas denunciados pelos vizinhos e acreditam que a mãe sofre de uma grave doença.
TERROR – “A gente está muito preocupada. Ela está com um enorme ferimento no tórax. Já fede a podre, mas não quer se tratar. Fica agressiva quando a gente fala em levá-la ao hospital. Ela acha que vai ficar curada em casa. E agora, está em pé-de-briga com os vizinhos, acusados de envenenar seus gatos”, contou Karin, que tem o corpo marcado por mordida dos felinos. “Tenho medo, pois são animais que não estão vacinados. É um risco para todos nós”. Uma vizinha, que pediu para não ser identificada contou que, dias atrás, acionou o Samu, mas dona Michelle rejeitou o atendimento.
As filhas acreditam que a mãe sofre de algum distúrbio psiquiátrico. “Ela aparenta ter os sintomas, mas não há nada comprovado, pois ela nunca foi examinada”, observou Karin. As duas disseram que, hoje, a prioridade é a sua saúde. “Ela geme de dor, exala mal cheiro. A gente fica preocupada”, contou Ana Carla.
As irmãs dormem em uma dependência nos fundos do sobrado. Onde a mãe vive, o odor é insuportável. Gatos estão espalhados em todos os locais. Pouca luz e umidade pioram a cena. A escadaria é repleta de lixo, assim como as dependências do imóvel. É praticamente impossível permanecer muito tempo no seu interior. O local mais se parece um filme de terror.
“Não sou louca, Deus sabe disso”

Uma mulher franzina e magra. Dona de um português fluente. Disse que é inocente, que está vivendo “uma coisa macabra” e, quando falou da morte dos gatos, envenenados nos últimos dias, chorou. Assim é dona Michelle, que assim passou a ser conhecida por conta do nome do marido – Michelle Aloísio. Ela negou estar com uma doença grave, apesar do mal cheiro que exala. “Estou é doente de tristeza por tudo que está acontecendo na minha vida”, desabafou.
Ela disse que os vizinhos estão matando os seus gatos. Afirmou que é humilhada todos os dias. “Me chamam de louca. Mas não sou louca. Deus sabe disso. Apenas tenho amor pelos meus gatos. Cada um deles que morre, é um filho que parte. Entrego tudo a Deus, pois sou católica fervorosa e tenho fé”.
Contou que vive dos aluguéis de seus imóveis e que, recentemente, deu entrada numa pensão no consulado italiano. Afirmou que está cuidado de sua saúde e que não tem medo da morte. “Sei que meus gatos estarão me esperando. Vou encontrá-los”, declarou.
“Não maltratei minhas filhas”, afirmou acusada

Dona Michelle negou a acusação de cárcere privado feita pelas duas filhas. “Nunca maltratei as duas”, afirmou. A mãe de Karin e de Ana Carla disse que já “deserdou as filhas”. “Tenho muito mais amor pelos meus gatos, pois eles são fiéis comigo. Aliás, confio mais neles que nos seres humanos”, desabafou.
A mulher disse que toda a confusão começou por causa de “más amizades” das filhas. Ela admitiu que as duas não freqüentaram a escola. “Elas aprenderam a ler em casa. Comprei a Enciclopédia Barsa e os melhores livros, e dei educação as duas”, contou.
Perguntada se ficou feliz com a formatura da filha Karin, em Letras, pela UnG há três meses, não pensou duas vezes: “fiquei muito feliz. Torço para que ela tenha sucesso na vida, que trabalhe e forme uma família”.
Dona Michelle relembrou que trabalhou durante anos em um escritório de advocacia, em São Paulo. Afirmou que é admiradora número 1 do baiano Rui Barbosa, o “Águia de Haia”, e do jurista Hélio Bicudo. Revelou que, se tivesse feito vestibular, faria para Direito e atuaria na defesa dos animais. Lamentou “a falta de respeito dos filhos com os pais e com os mais velhos nos dias de hoje”. Contou que tem saudade da infância, quando brincava com as bonecas de pano feitas pelo avó.

Secretaria de Saúde reconhece o problema

A Secretaria de Saúde sabe do problema no sobrado número 1856 da avenida Emílio Ribas e afirmou, por meio da sua assessoria de imprensa, que está estudando solução para o caso. Por conta dos gatos, o Centro de Zoonoses já aplicou multa por três vezes.
“Reconhecemos que é um caso de saúde pública. Os técnicos do Centro de Zoonoses conhecem bem o caso, já aplicaram três multas e, agora, está estudando uma forma de resolver definitivamente o problema dos gatos”, explicou a assessoria.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

SAÚDE - BENEFÍCIOS DO BOCEJO




Pode parecer estranho, mas é isso mesmo! Bocejar ajuda a resfriar o cerebro e melhora a atenção. Da próxima vez que alguém reclamar de um bocejo seu, pode responder: "bocejo, porque quero prestar mais atenção em você". Segundo um grupo de psicólogos americanos, essa pode ser exatamente a função do ato de bocejar: resfriar o cérebro para melhorar a concentração. Assim sendo, em vez de preparar o corpo para dormir, o bocejo seria, na verdade, uma maneira de evitar o sono. A notícia foi divulgada no site da revista americana "New Scientist". Você já percebeu que o bocejo é contagioso? Já?
Mas talvés o que você não saiba é que agora cientistas descobriram que as pessoas gentis são mais suscetíveis à transmissão. O psicólogo Steven Platek, da Universidade Drexel, na Filadélfia (EUA), e seus colegas da Universidade do Estado de Nova York mostraram um vídeo com uma pessoa bocejando a um grupo de 65 estudantes. Os que abriram a boca diante da tela apresentaram maior pontuação num teste psicológico medindo a empatia. Os estudantes imunes ao contágio eram, por outro lado, menos predispostos a reconhecer que um insulto pode ofender outra pessoa.
Falando nisso, é bom comentar que a falta de sono afeta o combate a doenças.

Marilene Ferreira

A "RESSURREIÇÃO" DE MICHAEL JACKSON






Artista plástico prepara escultura do ídolo pop que será apresentada no seu segundo aniversário de morte, em junho de 2011

Gil Campos


O ídolo pop Michael Jackson, morto no dia 25 de junho do ano passado, está prestes a “ressuscitar” pelas mãos do artista plástico Jota Bezerra. Em junho do próximo ano, no segundo aniversário de morte do astro norte-americano, ele terá uma escultura, totalmente articulada e de tamanho natural, com roupas e adereços semelhantes aos utilizados em shows pelo popstar.
“Será a minha homenagem a este grande nome da música”, explicou Jota, que já começou a trabalhar na escultura no seu ateliê Pura Arte. O corpo do cantor será feito de PVC com massa plástica e revestimento de silicone para imitar a pele. “Creio que o trabalho estará concluído somente em seis meses”, observou o artista plástico, pernambucano de Tabira, e ex-marceneiro, que mora em Guarulhos há 10 anos.
Jota Bezerra é autor da famosa escultura Bento do Portão, uma homenagem ao morador de rua que, depois de sua morte, ficou conhecido por supostos milagres (ver história abaixo). Esta escultura ficou exposta durante meses no hall do Adamastor Macedo.
PINTURA – Bastante conhecido em Guarulhos por seu trabalho como pintor e restaurador de obras de artes, Jota irá abrir no próximo dia 28 a vernissage com cerca de 50 trabalhos dos alunos de seu curso de pintura. O local será na rua Oswaldo Cruz, 95, no Centro, das 15h às 19h. Os ingressos custarão R$ 7,00 e poderão ser retirados em seu ateliê (endereço abaixo).
O artista é o principal ativista para transformar a Praça Getúlio, em um dia da semana, numa praça “de todos os artistas”. “Estamos apresentando projeto à Secretaria de Cultura para que a praça receba, em um dia do final de semana, escritores, capoeiristas, escultores, teatro, artistas plásticos, dança, cordel e outras manifestações culturais. Ou seja, o guarulhense, terá na sua própria cidade o que ele procura na Praça da República, em São Paulo, ou em Embu das Artes”, observou.


Serviço
Ateliê Pura Arte
Avenida Papa Pio XII, 503, Macedo
Telefones: 2885-7527 e 2229-6144


Bento do Portão

Nascido no dia 29 de janeiro de 1875 na Bahia, Bento do Portão viveu no bairro de Santo Amaro, em São Paulo, como mendigo e curandeiro. Nas horas vagas cortava lenha, carregava água para os moradores da região que lhe pagavam com um prato de comida, um cigarro de palha ou até com uma simples bala.
Era uma pessoa simples, bondosa e muito admirada pelas crianças e adultos. Muitas vezes era mal compreendido por algumas pessoas que o maltratavam. Adquiriu o nome de Bento do Portão porque quando tinha fome, sentava nos degraus dos portões das residências e os moradores sempre lhe ofereciam um prato de comida.
Antonio Bento morreu no dia 29 de junho de 1917, com 42 anos, próximo a entrada principal do cemitério de Santo Amaro. Quem o encontrou foi a moradora do bairro Isabel Schmidt, que vinha todas as manhãs trazer-lhe café com pão. Sete anos após sua morte, ao ser feita a exumação do corpo, este se encontrava intacto.
MILAGRES - A ele são atribuídos vários milagres, sendo o primeiro no dia 2 de fevereiro de 1922, a uma senhora que necessitando amputar as duas pernas, pediu-lhe ajuda, alcançando a graça solicitada. Muitos devotos vão às segundas-feiras até o cemitério de Santo Amaro, onde está sepultado, para reverenciar sua memória e fazer pedidos e orações.

Consultório de Rua


Guarulhos implanta projeto que vai atender a população que vive na rua

Um dos 14 primeiros municípios do Brasil a implantar o Consultório de Rua do SUS, Guarulhos é o único até o momento que desenvolverá o projeto por meio de uma ação integrada entre as secretarias municipais de Saúde e Assistência Social e Cidadania. O Consultório de Rua do SUS tem por objetivo o atendimento da população que vive na rua em situação de vulnerabilidade, especialmente os usuários de álcool e drogas.
A assistência começou na terça-feira, dia 16, por uma equipe multiprofissional composta por médico, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, psicólogo, assistente social, além de agentes de proteção social e educadores sociais. Eles se deslocam até os pontos pré-estabelecidos por meio de uma van, que funcionará como base móvel para as ações do Consultório de Rua.
Além de oferecer assistência integral às pessoas em situação de vulnerabilidade, como ações de promoção, prevenção e cuidados básicos em saúde, o projeto faz parte de uma política estratégica de enfrentamento ao uso de álcool e drogas, especialmente o crack, por populações que vivem ou circulam nas ruas, sejam elas crianças, jovens ou adultos.
MORADORES - Para tanto, o primeiro passo para a implantação do projeto no município foi a identificação da população de rua, trabalho que apontou a existência de aproximadamente 250 pessoas vivendo em situação de vulnerabilidade em todo o centro expandido da cidade.

Ações

O Consultório de Rua funcionará de segunda a sexta-feira, das 13h às 22h, tendo como base fixa o Centro de Atenção Psicossocial – Caps AD (Álcool e Drogas), situado na rua Luiz Faccini, 518 (Centro). O projeto prevê a realização de ações conjuntas com os programas municipais de Doenças Sexualmente Transmissíveis -DST/Aids; de Prevenção à Tuberculose e Hepatites Virais; bem como com os programas de Abordagem de Rua, de Erradicação do Trabalho Infantil e Enfrentamento ao Abuso e Exploração Sexual.
Nesta primeira etapa de desenvolvimento do projeto, as ações serão realizadas em quatro pontos onde há concentração de população de rua: Praça dos Químicos e Restaurante Popular (locais que serão trabalhados às segundas-feiras), rua Caraguatatuba e Praça Getúlio Vargas (terça-feira), Albergue Municipal (quarta-feira), Praça Antonio de Ré e Praça IV Centenário (quinta-feira) e rua Caraguatatuba e Albergue Municipal (sexta-feira).